Geralmente o termo crise assusta e para a maioria das pessoas tem um sentido negativo. Porém é preciso ampliar seu sentido para captar o seu sentido positivo.
Crise vem da palavra grega Krísis e significa juízo, escolha, separação. Na vida humana as crises nos julgam e nos vasculham. Na antiguidade significava uma mudança no estado de um doente.
A crise é algo inerente as transformações e mudanças na vida humana. O produto da crise é a mudança que pode ser positiva ou negativa. As mudanças profundas geram mal-estar e desconforto. E como lidar com as crises existenciais que marcam o desenvolvimento da vida humana?
É preciso olhar a crise por outra perspectiva para ver as potencialidades positivas que ela traz e como administrá-las adequadamente.
Toda crise humana é vital pois implica mudanças e adaptações importantes na vida. A primeira crise do ser humano é seu nascimento pois é uma mudança profunda de sua futura vida só igualada com a morte.
A criança rompe sua unidade fusional com o ventre materno e percorrerá um longo caminho de construção da unidade relacional. Nascer é um crise vital. Geralmente as experiências humanas de perda remontam à essa perda original. Existem diversos tipos de crises ou o que damos o nome de crise. São as crises com a morte de entes queridos, das doenças que nos afligem, das separações, perca do trabalho, dos insucessos etc.
Toda crise de certa forma é uma crise de identidade nas quais somos chamados a renovar nossos equilíbrios. É enfrentamento de novas situações existenciais. É um renascer para as novidades da vida em outras perspectivas. É recomeçar uma nova existência com novos significados.
A crise permite um reordenamento da existência em torno de um novo centro. A crise traz uma tomada de consciência aguda da realidade sob novos prismas até então não vislumbrados. Essa crise quebra couraças que vãos construindo para nós mesmos. É ir rompendo uma visão muitas vezes ilusória do mundo, ideal, camuflada para dar espaço a uma visão mais próxima do real.
A crise nos convoca à sair da superfície das coisas, das aparências para atingir uma dimensão mais profunda de nós mesmos e das demais relações humanas.
As crises sempre podem nos ensinar algo sobre a vida e seu dinamismo. As crises podem nos levar a ver o que é essencial numa sociedade que desvia as pessoas do que é importante.
As crises despojam o ser humano das falsas certezas e das imagens idealizadas de nós mesmos. Ela liberta muitas vezes daquilo que nos aprisiona e nem nos damos conta. Evidente que toda crise exige elaboração não é algo mecânico, exige atenção e trabalho. É um desafio elaborar as próprias crises porém é compensador sair da superfície de si mesmo e atingir camadas mais profundas da nossa vida. Permitem uma experiência mais autêntica de nós mesmos.
A crises assim elaboradas podem ser um evento transformador e que não deve ser desperdiçadas. Elas podem trazer mudanças inauditas.
Prof. José Pereira da Silva